Morte de pessoas idosas diminuiu no Brasil

Mortalidade de idosos

Publicidade

 

As políticas de Saúde da população idosa e o Estatuto do Idoso têm garantido um envelhecimento saudável e ativo da população.

APM (*)

A mortalidade em pessoas idosas constitui um importante indicador de saúde, assinala o boletim epidemiológico 02, de janeiro de 2022, o qual apresenta informações baseadas nos dados registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) com o objetivo de verificar óbitos de pessoas para os grupos etários de 60 a 64 anos, 65 a 69, 70 a 74, 75 a 79 e 80 anos ou mais para os anos de 2000, 2009 e 2019, em nível nacional e por UF. De acordo com o boletim, a transição demográfica caracterizou-se com a redução das taxas brutas de mortalidade, em especial a queda de doenças transmissíveis infecciosas e parasitárias, e, depois de um tempo, com a queda das taxas de natalidade, provocando significativas alterações na estrutura etária da população.

Ao longo das últimas duas décadas a taxa bruta de mortalidade de idosos diminuiu, contribuindo para as mudanças na estrutura etária da população brasileira, cada vez mais envelhecida. Em 2000, o índice era de 35,35 óbitos de idosos por mil habitantes, passando para 33,46 em 2009 e chegando a 31,93 em 2019. Em números absolutos, foram registradas 521 mil mortes em 2000, 670 mil em 2009 e 929 mil em 2019. Os números são de boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. O estudo teve objetivo de verificar se as políticas de Saúde da pessoa idosa e o Estatuto do Idoso têm garantido um envelhecimento saudável e ativo da população.

Em 2019, os estados com maior taxa bruta de mortalidade de idosos foram Rio de Janeiro (35,54/mil), Pernambuco (35,44/mil), Alagoas (35,1/mil) e Paraíba (34,98/mil). Por outro lado, Distrito Federal (25,94/mil) teve o menor índice do Brasil.

Causas de mortalidade

Em 2000, 38,3% dos homens e 35,6% das mulheres idosas morreram devido a alguma doença do aparelho circulatório. 16% de ambos os sexos faleceram por uma causa do capítulo XVIII da Classificação Internacional de Doenças (CID) 10 (sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte). A terceira causa básica, tanto para homens (15,7%) quanto para mulheres (13,3%), foram as neoplasias.

Nos anos de 2009 e 2019, as causas básicas se mantiveram inalteradas. Houve, porém, mudanças na proporção em alguns itens. Por exemplo, em 2009, 15% das mulheres tiveram causa básica registrada em neoplasias, enquanto entre os homens, 18,4% tiveram esse mesmo registro. Em 2019, 15,2% dos óbitos em mulheres apresentavam como causa básica as doenças de aparelho respiratório, enquanto entre os homens, o percentual foi de 14,4%.

O capítulo XVIII da CID (sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte), em ambos os sexos, compreendia 16,5% no ano 2000. Em 2009, os valores chegaram em 7,7% – uma queda de 53,3%; em 2019, a queda, em comparação ao ano 2000, foi de mais de 66,7%. Isso sugere que a vigilância e investigação do óbito tenham melhorado os registros de óbitos por causas mal definidas.

Doenças do aparelho geniturinário tiveram um aumento em 2019 de 144,4% quando comparado ao ano 2000 em ambos os sexos. Aumentou também o registro de óbitos por doenças do sistema nervoso: 360% para os homens e 244,4% para as mulheres, de 2000 para 2019.

Considerações

O boletim considerou até o período de 2019 por conta da pandemia de Covid-19, que tornou os números de 2020 em diante atípicos. Segundo o Ministério da Saúde, é necessário avaliar o período pandêmico de maneira isolada, buscando entender as consequências na população idosa e na sua mortalidade.

O boletim aponta que o País possui uma política nacional de saúde da pessoa idosa que objetiva, no âmbito do Sistema Único de Saúde, garantir atenção integral à saúde da população idosa, enfatizando o envelhecimento saudável e ativo. Nas considerações finais, o boletim assinala que os resultados reforçam a necessidade de uma atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa, bem como a promoção do envelhecimento ativo e saudável, porque o tratamento de um idoso requer além de recursos financeiros, cuidados humanos.

Chama a atenção para o cuidado com o preenchimento da Declaração de Óbito, como primordial e de extrema relevância para garantir a qualidade dos dados e, por conseguinte, um diagnóstico fidedigno da realidade brasileira. O envelhecimento é acompanhado de uma série de morbidades crônico-degenerativas, como neoplasias, hipertensão, diabetes e outras doenças do aparelho circulatório. Portanto, a decisão sobre a real causa básica do óbito torna-se bem mais complexa.

Também chama atenção para a dinâmica da mortalidade em raças/cores distintas e os grupos etários. Os idosos pretos e pardos, ao longo do tempo, têm as menores proporções do total de óbito dos grupos etários mais novos, isto é, até 70 anos; enquanto idosos brancos e amarelos se concentram em grupos etários mais velhos, acima de 70 anos. O perfil dos idosos que vieram a óbito reflete a condição de saúde e os desafios das instituições de saúde em acompanhar e amparar a população idosa. A mortalidade de idosos também ocorre de maneira distinta entre os estados e Regiões do País. Destaca o aumento da importância de doenças crônico-degenerativas, cujo fator de risco seria associado às condições de vida em grandes áreas urbanas.

Foto destaque de cottonbro/Pexels